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A amarga Anvisa vai atrás do seu doce!

O caderno “Ciência” do jornal O Globo hoje serve como claro alerta ao que vem por aí. A matéria principal diz: “Brasil, um país de peso”, com o seguinte subtítulo: “Estudo do Ministério da Saúde mostra que 64% da população já lutam contra balança”. Os brasileiros ficam cada vez mais gordos. E o ministro Alexandre Padilha quer fazer alguma coisa:

Agora é a hora de virar o jogo para não chegarmos a países como os Estados Unidos, que tem mais de 20% de sua população obesa. Temos que ter maior oferta de produtos industrializados saudáveis. No tocante aos supermercados, por exemplo, o objetivo é tornar alimentos saudáveis mais visíveis.

As “almas altruístas” que vivem 24h pensando em como ajudar o próximo já querem impor regras aos mercados. Talvez obriguem que alface e cenoura orgânicos fiquem em destaque na prateleira, enquanto as balas e doces permanecem escondidos atrás do balcão. Sem dúvida aumento de imposto fará parte das propostas de combate à obesidade.

Em seguida, a matéria aponta os grandes vilões em destaque: “Dieta tem excesso de gordura e açúcar”. Carnes gordas e refrigerantes são os inimigos da boa saúde. Os casos de câncer tendem a aumentar se esta alimentação ruim continuar.

Eu não discordo que o brasileiro médio se alimenta mal, naturalmente. Tampouco vou condenar campanhas por uma melhor alimentação. Acho legítimo e até saudável. Mas o abuso de alguns não deve tolher o uso dos demais! Eis onde reside o perigo, como diz a última reportagem do caderno: “Tabagismo chega ao menor patamar”.

Diz o subtítulo: “Pela primeira vez, número de fumantes fica abaixo de 15% da população brasileira”. Essa parcela já foi o dobro algumas décadas atrás. O elo ficou evidente. A lógica é a seguinte: o sobrepeso é um problema de saúde pública, uma “epidemia”, que pode causar inclusive câncer, tal como o tabagismo, outra “praga” da saúde pública.

Portanto, é não só legítimo como desejável que o governo declare guerra aos alimentos calóricos e gordurosos. Proibir campanhas na televisão, impor alertas catastróficos nas embalagens ou até impedir a venda em vários ambientes são medidas necessárias para preservar a boa saúde dos brasileiros. Já posso imaginar a foto de uma “baleia” quase morta estampada no pacote de biscoito com o seguinte aviso: “O Ministério da Saúde adverte que este alimento pode matar”.

No meu artigo do GLOBO sobre a Anvisa, apelei ao sarcasmo para condenar o autoritarismo da agência, pois só com humor conseguimos aturar as investidas destes “tiranos do bem” às vezes. Nele, eu alertava:

Muitos são os que aplaudem vossas medidas, saibam disso. Temos sólidos argumentos. Por exemplo: a saúde universal paga pelo estado. Eis como vai a lógica: se todos pagam impostos para manter o SUS, então claro que é legítimo o governo cuidar da nossa saúde. Dando continuidade a esta lógica impecável, nós da ANTA achamos que o governo deveria impor exercícios físicos diários, pois o ócio é prejudicial à saúde. Cortar o sal, o açúcar, a fritura e a gordura parece o caminho natural a seguir.

Podem anotar: a Anvisa vai começar timidamente a impor avisos sobre os riscos do açúcar, para em pouco tempo tomar medidas mais drásticas. A amarga Anvisa vai atrás do seu doce, caro leitor!

Fonte: Blog Rodrigo Constantino

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